Então, criei coragem, procurei um profissional que me inspirasse confiança e liguei. Inspirasse confiança? É, algumas coisas do passado me deixaram ressabiada com profissionais deste ramo. Preferi procurar ajuda médica do que algo mais subjetivo porque eu acredito que meu maior problema, o motivo de ter procurado ajuda, era um problema clínico, que deveria ser analisado e tratado por alguém que conhece melhor as (dis)funções do corpo humano.
No primeiro "alô", uma dúvida… É isso mesmo que eu quero? Marquei a consulta, para o mesmo dia mesmo. E às 17h eu estava lá. E encontrei do outro lado da porta um senhor com uma cara muito estranha, se eu olhasse na rua, eu ia achar ele meio maluco. Mas é da opinião geral que todo psiquiatra é meio maluco mesmo. Avistei na sala aquele divã, divã é coisa que a gente só vê em filme. Mas eu sentei na poltroninha que ficava de frente à poltrona do médico. E sentei na ponta, desconfortável. E quando comecei a falar, e ele me induzir a falar, eu vi que sentar na ponta não ia resolver os meus problemas, que eu já previa que eram vários (eu sempre gostei de refletir sobre as minhocas da cabeça). E ele disse: "que tal tu voltares na quinta? Preciso te conhecer melhor antes de indicar qualquer tratamento.". Tá, mas peraí, eu sempre ouvi que psiquiatras dão medicação na primeira consulta. É, esse é bom mesmo. Se ele me desse medicação na primeira consulta eu ia procurar outro mesmo.
E saí de lá com a sensação estranha, a sensação de que eu teria de utilizar aquela poltrona para ficar confortável, pois sentada lá, eu teria de abrir o lacre da minha Caixa de Pandora. E de lá sairiam coisas que eu já prevo que sairão, mas também sairão coisas inimagináveis. Mas no fundo da caixa, o que vai restar, é a esperança.

